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Quem já esteve no México sai do cinema com saudades depois de ver "Frida". As cores marcantes, os fortes sabores, tudo volta aos sentidos. Se nunca experimentou nada disso, finalmente entende por que o país termina envolvendo mesmo os visitantes mais incrédulos.

É impossível passar impune pelo colorido México. Nem pela pintura de Frida Kahlo. As expressões marcantes purgam sofrimentos e, em quadros, esparramam a essência da artista. Uma vida com intensidade que marcou a sociedade mexicana e se tornou um dos ícones de sua cultura. Conhecer o passado e a obra de Frida é de certa forma viajar pelo país, por seus encantos, sua força e seu povo.

Seguindo o roteiro do filme na Cidade do México, o início da viagem é a antiga residência dos pais da artista, no bairro de Coyoacán. Hoje funciona ali o Museu Frida Kahlo. A maior atração é ver o lugar onde ela nasceu, deu suas primeiras pinceladas e passou boa parte de sua existência. No acervo, utensílios da velha casa, cerca de 20 obras da artista e uma reprodução do famoso "As Duas Fridas", considerado por muitos especialistas sua pintura-mestra.

Mas você não pode deixar a Cidade do México sem ver o quadro original. Vá, então, ao Museu de Arte Moderna. Lá, estão trabalhos de mexicanos do século 20. Da pintora, cerca de cinco peças, entre elas, a famosa "As Duas Fridas".

A história da famosa pintora leva a um terceiro lugar: o atual Museu Casa Estúdio Diego Rivera, no bairro de San Ángel. O ousado projeto do arquiteto mexicano Juan O'Gorman (do início da década de 30) reúne duas casas ligadas por uma ponte. Era o refúgio do polêmico casal Frida Kahlo e Diego Rivera. Ela vivia na menorzinha, e o mulherengo marido, na outra.

Atualmente é possível ver o estúdio do pintor e objetos pessoais. O antigo lar de Frida é o espaço reservado para as exposições temporárias. Até o início deste mês, o tema é Diego Rivera e suas modelos, com fotos e pinturas das mulheres que posaram para ele e, com freqüência, foram suas amantes.

A pintora acabou descontando as dores sofridas pela infidelidade de Rivera no caso que teve com Trotsky. O revolucionário russo e sua mulher, Natalia, chegaram a morar com o casal mexicano na antiga residência da família de Frida. Foi a alguns quarteirões, no entanto, que Trotsky terminou morto, na casa para onde havia se mudado com Natalia. O Museu León Trotsky foi aberto no local e mantém o quarto e a escrivaninha de 1940, ano do crime.

A história de Frida com Rivera começa em 1922, quando o pintor já era renomado. Tinha 36 anos e ficou encarregado de fazer um mural no auditório do então Colégio de San Ildefonso. A futura artista estudava lá e foi aí que o viu pela primeira vez. O encontro decisivo, porém, ocorreu anos depois a alguns quarteirões dali, no Palácio Nacional, onde Rivera pintava os belíssimos painéis sobre o México, ainda em exibição - um programa imperdível no Zócalo, a praça central da cidade.

Frida já havia sofrido o brutal acidente de bonde em que ficou com problemas na coluna. Na cama e depois na cadeira de rodas, desenvolveu o gosto pela pintura. Resolveu, então, mostrar seu trabalho ao muralista. O resultado está nas obras da artista. E nas telas. Mesmo consideradas possíveis críticas - até a mais boba, como o preto bigode da artista, suavizado, em versão hollywoodiana -, não dá para negar que a fita é uma viagem sensorial ao México em 118 minutos. E ninguém irá dizer que existe guia melhor do que Frida Kahlo para um passeio pela cultura desse país.

 

   

 

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